quarta-feira, 9 de maio de 2018

Quatro presos em megaoperação contra milícia eram das Forças Armadas





Rio - Entre os 168 presos pela Polícia Civil em megaoperação contra milicianos neste sábado, havia três soldados do Exército, um da Aeronáutica e um bombeiro militar. O chefe de Polícia, Rivaldo Barbosa, ressaltou que houve resistência dos criminosos e confronto com fuzis. O bando participava de uma festa em Santa Cruz, na Zona Oeste. Apontado como o líder do grupo, Wellington da Silva Braga, o Ecko, conseguiu fugir quando os agentes chegaram. Quatro homens que faziam a sua segurança morreram. Além dos presos, 7 menores foram apreendidos. A milícia atua na Zona Oeste e na Baixada Fluminense.
A polícia afirmou ainda que essa milícia, a maior do estado, ficou enfraquecida após a operação. "Não vamos diminuir a nossa força e vamos atuar, incessantemente, contra os milicianos. Não vamos recuar", disse Barbosa.
O grupo estava adotando práticas criminosas típicas do tráfico. Segundo a polícia, eles faziam ameaças e executavam moradores que não aceitassem regras impostas pela quadrilha. Os milicianos permitiam, ainda, a presença de traficantes em suas regiões, abrindo espaço para venda de drogas e roubo de cargas. Como contrapartida, o tráfico pagava um percentual do que faturava.

A ação contou com 40 homens da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), 27ª DP (Vicente de Carvalho) e 35ª DP (Campo Grande). Foram apreendidos 12 fuzis, 15 pistolas e quatro revólveres, além de um simulacro de fuzil. Os agentes apreenderam também uma granada, e 10 carros roubados foram recuperados.
O delegado assistente da DHBF, Fábio Salvadoretti, chamou atenção para o modo de atuação violento da quadrilha. "É um grupo de sanguinários que exterminam pessoas de bem, e suas ações em nada diferem das práticas do tráfico. Se a pessoa não paga uma taxa que acredita não ser devida, eles a executam".
Ecko é irmão de Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, morto em 2017, em uma operação da Polícia Civil.
"O grupo exercia ainda influência em cidades da Baixada, como Itaguaí e Seropédica, e se expandia para a Costa Verde. Essa operação vai impactar nos índices de letalidade nas regiões em que a quadrilha atuava", disse o delegado titular da DHBF, Daniel Rosa.
No evento de pagode que acontecia no Sítio Três Irmãos, alugado para a festa, os milicianos eram os protagonistas e tinham direito até a pulseiras vips. Os agentes chegaram ao local às 4h15m e foram, prontamente, 'recebidos' a tiros. "A ordem deles era atirar na polícia para proteger o chefe. E foi o que aconteceu", contou Salvadoretti. Nos fundos da casa, policiais encontraram uma escada, possivelmente usada na fuga do líder da quadrilha.

MPE vai investigar abandono de prédio invadido por seis famílias

O MPE (Ministério Público Estadual) instaurou inquérito civil para apurar eventual irregularidade na paralisação das obras realizadas em um edifício localizado na Rua Fátima do Sul, no Bairro São Jorge, em Campo Grande. No local, existe um prédio inacabado há mais de 20 anos, que atualmente é ocupado por seis famílias, que invadiram o imóvel.
Conforme a cabeleireira Luiza Peralta, 48 anos, que tem um salão de beleza em frente ao edifício, desde quando ela se mudou para o bairro, há 10 anos, o lugar está abandonado. Ela conta que antes das famílias invadirem o espaço, ele era tomado por usuários de drogas.
“Antigamente era cheio de drogados aí dentro. Eles passavam a noite no prédio. Nessa época os comerciantes do bairro tinham medo de roubos e assaltos por aqui. Agora depois que as famílias entraram, nós sentimos mais tranquilidade”, explicou Luiza.
A manicure Gislaine Moreira Andrade, 29 anos, é uma das pessoas que invadiu o local. Ela conta que quando chegou no local teve que colocar janelas nos cômodos, encanamento, fossa séptica e portão para evitar que os usuários voltassem a utilizar o local.
Gislaine disse que invadiu o imóvel, mas fez reformas no local e limpou todo o terreno. (Foto: Marcos Ermínio)Gislaine disse que invadiu o imóvel, mas fez reformas no local e limpou todo o terreno. (Foto: Marcos Ermínio)
“Nós entramos e demos uma geral por aqui. Limpamos, tiramos mato e toda a sujeira que existia por aqui. Já faz sete anos que moro aqui com minhas três crianças e nunca ninguém reclamou. A população sabe que nós somos de bem e viemos apenas para ajudar”, comentou.
Irmã de Gislaine, a manicure Sheila Moreira Andrade, 30 anos, também mora no local. Ela conta que quando chegou não havia nenhuma estrutura para morar no prédio.
“Os usuários de drogas levaram as janelas e tudo o que tinha aqui dentro. Nós que demos um jeitinho para morar. Já apareceu gente dizendo que é proprietário do prédio, até mesmo nos ameaçando, mas não acreditamos. Nós sabemos que o prédio foi construído pela empresa Degraus, que até já faliu”, informou.
Amigo das irmãs, o mestre de obras Messias Silva dos Santos, 44 anos, que testemunhou a invasão, ele já procurou a prefeitura para legalizar a situação do imóvel, mas teve a informação de que a obra pertence à empresa Degraus, que embargou a obra por ter contraído dívidas, após financiamentos bancários. “Desse jeito fica difícil de comprar ou alugar o prédio”, finalizou.
O escritório da Construtora Degrau foi lacrado pela Justiça no dia 06 de Agosto de 2004, por que a falência da empresa tinha sido constatada. O fato aconteceu, após uma cliente entrar com uma ação por não ter recebido o apartamento que comprou e nem as parcelas já pagas.

Deputado preso em Mato Grosso




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O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, manteve o entendimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e não autorizou que a Assembleia Legislativa vote a manutenção da prisão do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD).
O recurso foi protocolado pela Assembleia Legislativa no dia 17 de outubro. Bello remeteu os autos no dia seguinte para apreciação da 3ª Turma do Tribunal.
“Foi feito um agravo e encaminhado para que o Tribunal justifique essa situação de por que não podemos evocar o artigo 55 da Constituição Federal que nos dá a prerrogativa de votar a liberação do deputado Gilmar Fabris. O processo está em sigilo e só sabemos que foi mantida a decisão do ministro Fux”, explicou o presidente da Comissão de Ética da Assembleia, Leonardo Albuquerque (PSD).
Fabris foi preso por determinação de Fux, no dia 15 de setembro, pela acusação de obstrução à Justiça, atendendo pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusou de tentar esconder provas no dia da deflagração da Operação Malebolge.
Conforme a PGR, o deputado teria saído de casa com uma maleta com documentos, minutos antes da chegada dos policiais federais.
Fabris está preso no Centro de Custódia da Capital (CCC).
Além de determinar a prisão do parlamentar, Fux proibiu que a Assembleia votasse a respeito da prisão, contrariando a prerrogativa dos deputados para tal, prevista nas Constituições Federal e Estadual.
Os parlamentares devem aguardar a decisão da 3ª Turma do TRF, composta pelos desembargadores Ney Bello, Mônica Sifuentes e Mário César Ribeiro, que se reúnem às terças-feiras, semanalmente, e às quartas-feiras, quinzenalmente, conforme o portal do Tribunal.